A EVOLUÇÃO DA WEEKEND LEAGUE DESDE SUA INTRODUÇÃO E QUAIS DEVERIAM SER OS PRÓXIMOS PASSOS

Antes do lançamento do FIFA 17, a Electronic Arts anunciou que dentro do Ultimate Team teríamos o modo FUT Champions, que seria focado em partidas mais competitivas. Dentro desse modo, teríamos a Weekend League. Na WL, os jogadores qualificados teriam que disputar 40 partidas dentro de 72 horas, e receberiam uma premiação de acordo com seu número de vitórias. Em cada final de semana, seriam implementadas diferentes restrições nos elencos, visando incentivar a variedade nas escalações. Sendo um modo focado em partidas competitivas, ele daria vagas para campeonatos presenciais, organizados pela própria EA e por empresas parceiras. Neste artigo, vamos relembrar a evolução da Weekend League desde a sua introdução, e opinar sobre caminhos pro futuro.

A primeira temporada da Weekend League teve um grande impacto na comunidade. “O fato de ser algo inovador pode ter ajudado a ser considerado por mim o melhor ano da modalidade. A premiação também era algo muito atrativo, [pois] você conseguia melhorar o time com as recompensas e ficava ansioso para o próximo final de semana”, disse Ettore Abrucio, jogador profissional de FIFA pelo R10 Team. No entanto, com o passar dos meses após o lançamento do jogo, tivemos dois problemas: os jogadores se dividiram na questão das restrições na montagem dos times e criticaram o número alto de partidas pra jogar em pouco tempo, além de alguns aspectos envolvendo o método de classificação para campeonatos presenciais. Sobre essas questões, Matheus Overbeck, criador de conteúdo pela SPQR, disse o seguinte: “na minha opinião, esse método de classificação é extremamente falho, pois não dá as mesmas condições de disputa para todos os concorrentes, afinal, com [uma desconexão] você pode perder uma vaga e muito dinheiro. Sobre as restrições de elenco, como elas ocorriam em sua grande parte em meses onde o competitivo não dava vaga para presenciais, não tenho [porque] reclamar disso, [pois] achava interessante”. Os campeonatos ocorreram conforme o planejamento da EA, mas ficou claro que a Weekend League precisava de mudanças pro FIFA 18.

Infelizmente, o FIFA 18 ficou devendo muito quando o assunto é evolução da Weekend League. A WL continuava servindo como qualificatória para os eventos presenciais e com 40 partidas. A única mudança importante foi a grande redução nas restrições sobre as escalações. Matheus Overbeck lembra que “O FIFA 18 foi monótono quanto ao competitivo. Mesmo conseguindo resultados bons (como meu primeiro 40-0), as competições eram confusas e a forma de classificação continuava não sendo a melhor de todas. Concordo com as críticas sobre a falta de inovação, mas acho que o jogo passou por problemas mais importantes que isso durante seu ciclo, como o ‘No Loss Glitch’.” O ‘No Loss Glitch’ foi uma trapaça utilizada por vários jogadores para evitar derrotas na WL, e realmente foi um grande problema no FIFA 18. Mesmo assim, a redução nas restrições sobre as escalações teve seu impacto. Na visão de Ettore Abrucio, “no FIFA 17 foi ‘introduzido’ para a comunidade que a Weekend League seria uma via para o competitivo, então […] nada melhor do que termos a liberdade de usar […] jogadores livremente.”

Com o FIFA 19, veio outra oportunidade para redefinir o caminho da Weekend League e do FUT Champions como um todo. Nesse jogo, o modo deu muitos passos na direção certa, mas também deu um passo muito importante pra trás. A mudança mais impactante foi a diminuição do número de partidas. A partir do FIFA 19, são 30. Isso diminui a carga de estresse que a Weekend League pode causar e permite um intervalo maior entre cada partida, o que pode resultar num desempenho melhor. Além disso, desde então os jogadores podem escolher a WL que querem jogar, já que a entrada deixou de ser automática. No entanto, conforme citado anteriormente, também ocorreu um passo pra trás. O FIFA 19 foi o jogo que trouxe o Division Rivals, modo que substituiu as Temporadas Online. Se já ocorriam críticas ao Ultimate Team por ter deixado a diversão de lado e focado apenas em um cenário mais competitivo e de rivalidade, a introdução do Division Rivals piorou tudo isso. Mesmo que ainda seja um modo baseado em divisões, ele tem uma estrutura parecida com a da Weekend League. Dependendo do Rank e da Divisão, a premiação é definida. Isso faz com que a maciça maioria dos jogadores foque em usar apenas os melhores jogadores para buscar o maior número possível de vitórias e conseguir uma boa premiação. A exploração do jogo, que é quando jogadores diferentes são testados, praticamente sumiu. Além de todos esses aspectos, a jogabilidade do FIFA 19 foi muito criticada, com Abrucio citando que “com uma versão de futebol recheada de bugs e recompensas ruins, o jogo ficou muito mais estressante e cansativo, fazendo com que alguns jogadores sentissem falta […] dos FIFAs 17 e 18. Hoje, […] me sinto mais estressado jogando as 30 partidas devido ao fato de não haver reconhecimento através das recompensas para os jogadores que alcançam rankings mais [altos], como Elite, por exemplo.”

Em termos gerais, a estrutura da Weekend League se manteve no FIFA 20. Com isso, além das críticas sobre a falta de exploração dentro do jogo, agora existem críticas sobre a falta de inovação na franquia. Pra sair disso, um aspecto é fundamental: equilíbrio. Equilíbrio entre competição e diversão, equilíbrio (relativo) entre as cartas mais caras e as mais acessíveis, equilíbrio na jogabilidade, etc. Overbeck acredita que “o caminho mais seguro para a WL prosperar virá através de um posicionamento oficial da EA, decidindo se o modo é ou não um modo competitivo. Se for competitivo, ela vai ter que criar um outro modo casual e deixar a Weekend League só para o competitivo. Um outro torneio, com menos jogos e consequentemente premiações um pouco piores, mas que limite o nível máximo (por Elos, por exemplo) dos participantes me parece interessante. Assim, teríamos 2 torneios acontecendo ao mesmo tempo, um focado em High-Elo (WL) e um focado no casual. Além disso, a premiação dos rankings mais altos da Weekend League precisa melhorar muito para que passe a valer a pena investir tanto tempo [nela]. Abrucio também entende que há uma falta de equilíbrio atrapalhando o avanço do Ultimate Team e da Weekend League, citando que: “o UT precisa urgentemente de conteúdo para jogadores casuais e para todos de uma forma geral. A modalidade se tornou completamente competitiva e não há meios de diversão online para ninguém. Sinto saudade das divisões/copas online, onde você podia se divertir e ganhar algumas recompensas de imediato. Quanto a Weekend League, o melhor caminho seria você recompensar quem atinge maiores classificações. Não acho justo um jogador que ficou 4, 5 rankings atrás do seu Elite 1 ou Top 100 ter recompensas melhores. Esse é o fator que desmotiva jogadores [a procurar melhorar], pois sabem que, mesmo chegando ao “Elite”, [,,] não terão recompensas melhores.”

O equilíbrio entre competição e diversão pode ser atingido, principalmente, de duas formas: 

– com melhorias nos sistemas atuais para satisfazer tanto o lado casual quanto o lado competitivo. Para o lado casual, a Weekend League precisa ter um sistema melhor para criar partidas, ou seja, um sistema dividido em mais níveis. Isso faria com que uma parte muito maior dos trinta jogos fosse menos estressante do que os jogos finais. Para o lado competitivo (e consequentemente para qualquer jogador), o sistema de premiações precisa ser repensado. Hoje, a chance de alguém com 11 vitórias ter uma premiação melhor do que alguém com 23 vitórias é muito maior do que deveria ser. Sem motivação, os jogadores mais competitivos abandonam a Weekend League cada vez mais cedo.

–  com a criação de dois espaços distintos dentro do UT. No entanto, pra isso, é fundamental que a visão de cada espaço fique muito clara para todos. No fim das contas, ter mais opções seria o ideal. 

Sem essa balança pender muito para um dos lados, a Weekend League melhora, o Ultimate Team melhora e o interesse do público aumenta.